quarta-feira, 5 de outubro de 2011

ISSO NÃO É PRA MIM



YESTERDAY...
UM CARA SENTADO NA BEIRA DO RIO
SONHANDO COM VIAGENS MALUCAS
NUM NAVIO QUE PASSA AO LARGO
RUMO AO LONGO E PERIGOSO OCEANO,
O CAPITÃO NA PONTE DE COMANDO,
OLHANDO PARA O CÉU
E PROFETIZANDO UM POSSÍVEL 
ACIDENTE NO MAR,
DIZENDO PRA SI MESMO:
“ISSO NÃO É PRA MIM...”


DIAS ESTRANHOS ENTRANDO
PELOS CANOS SUBTERRANEOS DE IPANEMA,
TERRA DE APACHES DE PORRA NENHUMA,
CERVEJA, ESPUMA E BRUMA,
TANTA BRUMA, QUE SE PERDE NO LABIRINTO
DO INSTINTO DE NÃO TER NENHUM INSTINTO,
DE NÃO VER NADA ALÉM DO ÍSTMO
DE UM BAR COM MESAS E CADEIRAS...
DE PESSOAS FALSAS IDIOTAS
SEMPRE APRESENTANDO SEU VELHO ATO
DE IMBECILIDADES PRA TODO LADO,
BABAQUICE BEM VESTIDA E CHEIROSA,
MALUQUICE CARETA E BEM-COMPORTADA,
CARA DE BESTA, VOMITANDO BOSTA,
O SORRISO MAIS PODRE IMPOSSÍVEL...
E A VIDA ALI, PAIRANDO SOLTA
DE UM LADO PRA OUTRO...
SEM SER PERCEBIDA...
E TRAZ A BRISA E FAZ O LUAR,
ARRANCA O SOL DE TRÁS DO MORRO
E OS “CABEÇAS” SEMPRE ALI...
ATOLADOS NA MERDA DE SI MESMOS...
INDO PRA CASA AOS BANDOS,
NOS CARROS DOS “PAIPAIS”,
REALIZADOS E FELIZES,
DENTRO DE SUA POBRE E PODRE INUTILIDADE...


Vittorio Emmanuel Benevenutto

sábado, 1 de outubro de 2011

LISA ANGELA




Sinto teu lábio verde vermelho.
Sinto teu gosto verde moreno,
Sinto teu cheiro verde sereno,
Aroma doce verde salgado,
Vejo teu olho verde no verde,
Serena mona lisa angela,
Linda menina morena verde.



Vittório Emmanuel Benevenutto


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

DIA A DIA NO ESCRITÓRIO



Chega atrasado. Bate o ponto. Pega a apólice. Emite a apólice. Confere a apólice. Se suja de matriz. Se borra de carbono... Pensa em Birô... Busca lanche. Vai no banheiro. Lava as mãos.
Conversa. Canta... Birô continua no pensamento... Onze e vinte, sai. Pega o onibus. Almoça em casa. Dorme no onibus. Birô novamente... Na parada, dez pra uma. No serviço, uma e trinta. Bate o ponto. Três e trinta, lanche. Ameixa, melão ou pessego? Birô persiste... Seis e dez. Bate o ponto. Seis e quinze. Dúvida... Juca ou Serraria? Onibus lotado. Corpo cansado e suado. Coração amassado. Muito sono. Vontade de sentir. Cheirar. De ter Birô... Vontade de correr mais que o onibus. De ser sabiá para alegrar Birô... Onibus deixa na parada. Chega em casa. Triste. Violão na casa de Birô. Discos também.
O que fazer?... Deitar. Dormir cansado. Sonhar coisas belas. Acordar molhado de suor... A mão lisa e fria na escuridão arranha...
Acende a luz. Nada... O que será?




Vittório Emmanuel Benevenutto

BLUES DO CAZUZA




Pode parecer está errado,
Mas agora te digo: me esqueça !
Andei demais só do teu lado,
Não pensa em nada, nem me mereça...

Algo de nós ficou perdido
No caminho que a gente percorreu,
Meu amor e o teu carinho,
Será que foi só isso que aconteceu ?

Acho que valeu nossa história,
Dentro daquilo que não se perdeu,
Se houve prazer e sorrisos, minha amiga,
Então por que se arrepender ?

O sol brilhou na casa do rio,
A lua nos viu loucos de cara e sorriu...
Gostava tanto me ver
Preenchendo teu espaço vazio...

E o tempo da minha cabeça
Sempre te disse a verdade
Que não fostes capaz de entender...
Será por que dói a realidade ?

Me chamou de triste, com cara de doente,
Mas precisou de mim de dia
E me procurou aflita na noite...
Nem se tocou que eu não era só companhia,
Que eu não apenas te quis...

Não viu que além desse amor,
Nunca fui mais nada do que devia...
E acho que isso não foi bom nem ruim...
Nem o começo, nem o fim... apenas sim !



Vittório Emmanuel Benevenutto

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O NADA QUE TUDO FOI




O amor nasce do assim e do nada,
Desenvolve-se,
Tudo acontece,
Tudo fica,
Tudo é !

...depois tudo morre,
Tudo fica transformado
Em nada que tudo foi,
Em tudo que é recordação
Do nada que só amou...
O tudo e o nada...




Vittório Emmanuel Benevenutto


O NADA E O TUDO



Nada, nada, nada...
Tudo, tudo, tudo...
Nada, tudo, nada...
Tudo, nada, tudo...
Contudo,
O nada e o tudo
Sempre estão juntos...
E nada pode separa-los...
Até que surja algo
Que não seja nada...
Nem tudo...



Vittório Emmanuel Benevenutto


PLATÃO





Autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da
Academia em Atenas, juntamente com seu mentor
Sócrates e seu pupilo Aristóteles, Platão ( nascido
provavelmente em 427 A.C. ) ajudou a construir os
alicerces da filosofia ocidental.
O homem para Platão, era dividido em corpo e alma.
O corpo era a matéria e a matéria era o imaterial e o
divino. Enquanto o corpo está em constante mudança
de aparência, a alma não muda nunca. Segundo o
filósofo, a alma é dividida em três partes:
1 - Racional: cabeça; esta tem que controlar as outras
duas partes. Sua virtude é a sabedoria ou prudência.
2 - Irascível: tórax; parte da impetuosidade, dos
sentimentos. Sua virtude é a coragem.
3 - Concupiscente: baixo ventre; apetite, desejo, mesmo
carnal ( sexual ), ligado à libido. Sua virtude é a moderação
ou temperança.


Fonte: Jornal Zero Hora
Edição de Vittório Emmanuel Benevenutto